Bateram na minha porta.(Ai, não vou atender! Pensei:é bebado!).
Estou estudando, disse a mim mesma pra justificar.Dito e feito! Mas
era um velhinho, atendi. Queria um resto de comida, fiz ovos mexidos e
um miojo, ofereci um copo de vinho,ele disse que não bebia.(mas cheirava
uma pinga braba...) pediu café que tava até com dor de cabeça,também
dei um agasalho com capuz,que ninguém sabe como bem hoje
tava frio, garoando.Me disse que operou o olho pra enxergar e aí que
não enxergou mais nada.Andava cambaleando,disse que não comia há dois
dias, era tontura.Estava na rua, disse que precisava chegar até Bauru, e
combinamos que se amanha ele voltasse eu ajudava comprando a
passagem.Me abençoou tanto tanto,que fico até sem graça, bem eu que não
queria nem atender a porta, fui me empolgando com a fragilidade dele na
rua, e tanto aquele homem ia fazendo pra Deus uma lista de coisas pra
mim que me fazia vergonha, disse só pra ele parar: -Poderia ser meu
avo...
Para que!? O velhinho parou de falar,mas chorou.
(apenas lágrimas.)
Entrei em casa arrasada...Como sou impotente,falsa,mentirosa.
-Este Deus dos miseráveis não passa de um incompetente!
Renata Koury
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