sábado, 17 de novembro de 2012

Moni-borboleta

Quinze minutos depois de ser atendida só pra levar o pão quente que ia sair.Quem eu encontro,do outro lado da calçada?
Olhos na infância,emocionados,a Moni!Calça vermelho sangue,blusa preta com detalhes em renda,sapato meio alto,bengala,óculos redondos enormes,a Moni é chic!Da infância no jardim da tia Maria,outra solteirona mais doce que a tubaína que acompanhava o queijo derreti
do com açücar,separado,minha avó Nida tinha esta paciência,me mimar.Com meus quatros anos sumia jardim bem dentro tinha tatuzinho,florzinhas,era um mundo de ervas,florzinha de chupar o mel.Quer uma carona?Sim!Ela e a acompanhante Cristina,olha,me liga se precisar.(A Moni é tão sozinha!)Uma hora pra andar meia esquina,quis ir na frente.)Uma elegancia só dela,ninguém teve seu estilo,nunca ecomizou chapéu nem lenço,além de uma dama, a Moni era chic.
Ela e minha tia Maria disseram que se apaixonaram por homens casados,e decidiram que nunca,as duas amigas para sempre,até que a tia Maria morreu.Minha avó também.Que saudade.Poucas crianças conheceram o amor que eu pude perceber nestas mulheres.Amor até hoje em mim para sempre,como um excesso.Voce se lembra?Sim!disse-me lúcida,ainda cheia de simpatia,de um não sei o que diferente,tão especial.Sim,claro que eu me lembro Renatinha!...Sabe que nunca me lembro que sou velha?
Bem,nunca conheci ninguém tão leve,bonita,de um colorido assim primaveril,de uma Europa que trazia entre as lembranças de ser dama companhia da família intelectual e rica,aonde nasceu pobre,cresceu órfã e dedicada,no seu frances impecável,presença de espírito que não a larga e se escancara nos olhos marotos e bem humorados,a Moni sempre foi única!

-Você é uma borboleta,Moni!!!!
O pão esfriou.As lembranças me fizeram chorar as saudades da minha avó,da minha tia,dos amores platônicos,e a fragilidade da velhice.Nem gosto tinha mais o pão na minha boca,só o gosto da vida que nestas alturas ,é quase passado.Quase perto do fim.A Moni não pensa na velhice....eu sim!

Enquanto a Moni se guardava, em seu casulo com seus segredos estupidamente cheia de vida,na sua ingenuidade

...meus pensamentos alcançavam a morte.

Renata Koury

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